sábado, 28 de março de 2009
Rio de Baianos
Lindo,
Sol, Mar, Montanhas
Maraca, Praia
Só (!)
Quero o Rio
Mas também um
Rio
De baianos
O Rio de baianos
E novos baianos
Sempre no Rio
Mas baianos do que nunca
No Rio
Aquele abraço do Rio
De braços abertos
Se confunde com o abraço
Envolvente dos baianos
Quando se abraçam
no Rio.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Farewell (ou Do caminho que fiz da Finlândia à China)
Uma jornada começa bem antes de fazermos as malas
Começa quando começamos a ver outros caminhos
Quando começamos a pensar em uma nova jornada
A di(e)vagar a começar a re-começar
Apenas os suficientemente experientes não sentem o frio na barriga
De uma nova jornada
O medo
A aflição
A insegurança
“Sei para onde vou, o problema é o caminho”
Caminhar é superar pedras, buracos e olhares,
(superar) Abraços, daqueles que temos que olhar para trás, com medo do “amigo” de viagem
Se você é assim, inexperiente para arriscar tanto
Ainda está jovem
Sua alma ainda é flexível:
Se dobra, se ajoelha, e reverencia
Pois aprender (e jornar) é isto:
Dobrar-se.
E no caminho, em meio a milhares de “abraços”,
Encontramos Abraços,
E como tudo que aprendemos, são entre milhares que estão os
Ouros.
Não temos milhares de mães, amigos e família
Temos apenas uma dentre milhares.
Então vale a pena.
O que pensa o trapezista enquanto entre um e outro trapézio?
sábado, 13 de dezembro de 2008
Francisco
Uma vida-filme
Um humano herói invencível
Crível
In-crível
Tão out
Tão trans-americano
Cafonamente latino
Cafonamente idealista
Cafonamente gente
Cabra marcado
Gado solto
Líder morto
Em um Brasil
Cínico
chico
Como muitas Magás
Só virou Chico
Quando saiu, vestiu terno
Butou tie
E foi na fonte de verdes águas
Que sustenta a insensibilidade nossa
Aí o velho chico, o analfa chico
Agora o Novo Chico, o descoberto Chico
Mas agora amigo!
Nesta hora, chega a sua hora.
Não podes parar
O cheiro lindo de diesel
O sabor de estradas (ah, este doce asfalto!)
O toque macio da grana
Obrigado, Amigo Chico
Super-Herói
Super-Mito
Muito mais
Gente
Que Super
Gente...
Precisamos tanto...
domingo, 16 de novembro de 2008
Mulheres Negras
Sensualidade reprimida
Amor desgarrado
Olhar atravessado
Sexuais objetos, da democracia à brasileira
Nada de novo: mulheres
Mas lentamente, as vejo,
Se vêem, no espelho, nas ruas
Se erguem cada vez mais.
Quantos tem o seu sangue
Sangue açucarado
De mar e senzala
Doce voz de mais do que de mucama
De mãe.
Abaixo da sua pele branca, quase rosada
Negros sorrisos, ternas histórias de Orixá.
Assim permanecemos:
Abaixo das possibilidades
Menos do que nossa genealogia
E as mulheres negras
São as menos libertas
São as últimas em cadeias
Sempre vistas como sereias
De carnaval (do fácil consumo, das mulheres sem rumo)
Brasileiras
São sereias e mães
Castas e dançarinas
Assim africanos e europeus
Somos
Um mix
Nada nos impede de admirar
O doce açucar do bailar das mamães no Carnaval
E sem sermos mais hipócritas
(porque sem dança não existiríamos)
Declararemos em todas as TVs, Outdoors, histórias,
Capas de Revista:
- Mulheres negras são lindas.
Entrem,
Revirem a minha pele
Me mostrem também!
sábado, 8 de novembro de 2008
O mundo gira
Mas se apoiou em ombros gigantes
Em pés e mãos massacrados
Em milhões e milhões de lágrimas deitadas caprichosamente
Para erguê-lo
As correntes, as cadeias serviram para impulsioná-lo
Para ampliá-lo sob a lente dos nossos anseios, ânsias, medos e receios
O suspiro encarcerado enquanto atravessámos o Atlântico:
- Nós podemos
A raiva de quem se sabia sentir humano:
- Sim, Nós, podemos
A coragem de se olhar no espelho tão diferente das Barbies e Kens:
- Finalmente, nós somos.
Somos a parte inumana da História.
Somos o ouro da Inglaterra, somos o sangue transformado em óleo da
Revolução Industrial.
Neste mundo movido a guerras, a Holocaustos infames
Trazemos a marca bem escrita aqui na nossa pele.
Sempre.
E existem aqueles que desistem. Não possuem na pele a herança.
Mas na sua História Pessoal.
E negam.
Neste momento, mais do que lançar um homem ao espaço
(mesmo sendo extraordinário, este - como aquele - Obama)
Aproveito para convocar meus irmãos de sangue:
Se orgulhem da Mãe (África), não a reneguem,
Não tenham A Vergonha.
Somos todos profundamente humanos.
Sim.
Somos todos desesperadamente humanos
Na mesma nave.
Descobrimos:
O Universo e as nossas esperanças são infinitas
Mas no quarto e sala do Terceiro Planeta
Não dá mais para nos ignorar.
domingo, 12 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Para minha irmã
Emanes paz
Vejo que luzes, lustras, poli-nos
Poliniza-nos
Nos abrace em um verdadeiro abraço africano
Aquele de Licia
Aquela Delicia de carinho
De aconchego
Mas se achegue, se o monento for de sossego
De dengo, de mamulejo, de banzo, ou de descanso
Maninha, é dentro de si que se está
Que se és, que serás, e que fores, com flores de amores
Que lindo azul! Te desejo sempre: e quando cinza,
O teu Sol em teu peito não te esqueças
De ti e de mim.
Somos raio do mesmo Sol.